24 de abr de 2011

 Já era hora ...
Já era hora
    Quero consertar meu despertador. Não vou mais acordar depois que as oportunidades passarem. Vou sonhar. Mas quero está acordada para realizá-los. Quero sonhar comigo fazendo piqueniques, trabalhando, amando e sorrindo. Vou começar a dormir mais cedo. Ter o pôr-do-sol como companheiro. Quero está no mundo da lua... Mas não vou morar lá, quero voltar e tentar salvar algumas cabeças da ignorância, tentar libertar pelo menos a minha. Mas uma vez ou outra contemplarei as estrelas até a aurora. Contarei todas as constelações e escolherei uma favorita para guardar meu amor. Mas hoje não dá, não sei como fazer isso, não sei como “pegar” no sono e não sei mais madrugar assistindo filmes. Eu havia prometido ser feliz e estou cumprindo, o que você queria? [...]
    Esse texto estava prestes a terminar da seguinte maneira: “O que você queria? Não tenho mapa, não tenho bússola e não tenho guia”.
     Mas percebi que meu guia não estava na minha frente, mas o Guia estava ao meu lado. Meu mapa não estava no GPS, mas na Bíblia e minha bússola não estava diante dos meus olhos, mas palpitando e movendo as veias.
     Então o término do texto será o início de uma nova vida:
    Eu havia prometido ser feliz e estou cumprindo, o que você queria? Que eu doasse todo meu ser aos prazeres momentâneos para receber um rótulo de “descolada”? Claro que não vou fazer isso, porque não quero receber seus prémios sem valor. Quero apenas amar. Então se me der licença...

22 de abr de 2011


Olhares rasteiros. Corações hasteados.


Todos os poemas são belos, uma vez que fazem parte do seu mais íntimo esconderijo. Poesia é o suor de uma atitude camuflada em rimas. O recanto mais úmido das nossas vidas. Tenho o atrevimento de afirmar ÚMIDO, porque sei que poemas são lágrimas vestidas de palavras. ÚMIDO porque é o alivio de uma chuva no final da seca. Uma chuva que não só é capaz de ascender lavouras, mas de encharcar corações e transbordá-los de algo que acreditam ser amor, já que não há outra coisa mais essencial para preencher a vida. Poetas sabem amar. Eles apenas... Quando eu virar uma, explico por experiência própria, porque não é honesto afirmar nada sem ter vivido, presenciado ou acreditado! Mas tenha cuidado com alguns versos. Muitos não são o que parecem ser. Coisas de poetas. Coisas que não faço a mínima ideia.

17 de abr de 2011

Vamos Sair?

     Já percebeu que para passear você toma banho, mas não limpa sua consciência? Para ir visitar parentes, você leva presentes, mas não leva presença? Para namorar você passa mais tempo boca a boca que olhos nos olhos? Você não leva seus problemas para a avenida, ou se esforça ao máximo para não levar. Seus problemas não sabem respeitar o sinal. Mesmo você tentando mantê-los distantes, eles te acompanham na contra mão. Porque nunca saímos por inteiro de casa? Meu quarto está implorando por privacidade. Solta meu travesseiro insegurança. Medo, hoje não, já falei uma vez, não me faça repetir. Vergonha, não quero mais fazer companhia a ti. Solidão vá encher o saco de outra, me deixe só. Quero conhecer. Quero não apenas levar minha carcaça para lugares bonitos, mas quero me levar por inteira. Quero sair por ai. Vamos sair Alinne?
     - Pensei que esse convite não ia sair nunca...
Quando alguém trabalha em prisões, presencia as mais desumanas tragédias. Em um dia normal de serviço encontrei um recorte no meio da imundice no chão. A letra engarrafada e borrada não por lágrimas, mas por suor, revelava uma realidade pouco comum. Dizia o papel:
            “Nas ruas todos me conhecem. Poucos me veem. Mas quando de minha boca saiu o que em minha mente me martirizava, fui condenado. Em suas casas sou o assunto. Na prisão o problema. No governo o prejuízo. Em seus corações o assassino. Na favela sou filho. Sou filho do tráfico. Não nego minha raiz. Sou filho da escravidão. Não nego minha cor. Sou filho do ódio. Não nego sua opinião. Sou quase tudo. Órfão, negro, mendigo, ladrão. Sou o alvo das acusações. Sou igual a você. Aprendi com a falsidade a blefar ser branco, a mentir ser inteligente, a forçar meu interesse pela porcaria que vocês chamam de moda fashion.
Fui condenado a ser branco.
Serei julgado por revelar.
Serei apontado como covarde.
Sou excluído porque meus olhos brilham mais que ouro.
Mas espécie nativa da terra, antes que vocês se matem, libertem-se suas mentes dessas algemas de diamantes e seus corações desses corantes desgraçados.
Caros vizinhos entendam como quiser meus gritos. Mas TIREM SUAS MÃOS DE MIM.”
Quando trabalhamos em uma prisão domestica de patrões da alta sociedade, nada é anormal. Principalmente uma carta escrita por uma criança que perdeu sua infância presa pelos fios da TV. Presa pelos olhares críticos e pelos palpites de invejosos. E principalmente criada e educada por modelos ocos revestidos por pele humana. Seres movidos à álcool. Álcool engarrafado e pasteurizado, comercializado com a logomarca do ânimo. Ânimo. Tudo mentira. Tudo uma farsa. Uma realidade, ou melhor, um pesadelo. Por favor, acordem, antes que durmam para sempre.
SEM FELICIDADE. SEM SEMPRE.